Outubro Rosa em Piracicaba: além das campanhas, compromisso com o cuidado

O Outubro Rosa precisa provocar uma avaliação concreta da assistência à mulher em Piracicaba. Há avanços: segundo a Prefeitura, foram realizadas 14.565 mamografias no primeiro semestre de 2025, contra 2.524 no mesmo período de 2024, acompanhadas do anúncio de eliminação da fila de espera. Entretanto, atender à demanda registrada não significa alcançar todas as mulheres que precisam de rastreamento. Quem enfrenta dificuldades para acessar a unidade, conseguir uma solicitação ou comparecer ao exame pode permanecer invisível às estatísticas. O volume de procedimentos deve ser acompanhado de informações sobre investigação concluída, estágio ao diagnóstico e acesso ao tratamento.

Os dados apresentados para o indicador Cuidado Integral à Saúde da Mulher reforçam essa preocupação. Entre 38 equipes de Atenção Primária, seis foram classificadas como regulares, 12 suficientes, 19 boas e uma ótima; entre 54 equipes de Saúde da Família, 41 foram consideradas suficientes e 13 boas.

Assim, 64,1% das 92 equipes ficaram nos níveis regular ou suficiente, e apenas uma alcançou o nível ótimo. Esse indicador não mede isoladamente o diagnóstico precoce do câncer de mama, mas oferece elementos para discutir a qualidade do acompanhamento. A análise deve considerar acesso, registros, condições de trabalho e integração da rede, evitando responsabilizar exclusivamente as equipes.

O relatório municipal do primeiro quadrimestre de 2026 apresenta 64,9% de cobertura estimada da APS e 35% no indicador de mamografia para mulheres de 50 a 69 anos nos últimos 24 meses, registrado como 100% da meta cumprida. Atingir uma meta administrativa, porém, não comprova acesso suficiente nem acompanhamento integral. A memória de cálculo utiliza quantidade de exames, exigindo cautela para interpretar o resultado como proporção de mulheres efetivamente acompanhadas. O mesmo relatório registra 35% no rastreamento do colo do útero, dimensão complementar da saúde da mulher. É necessário qualificar esses indicadores e acompanhar o percurso de cada paciente com resultado alterado.

A dimensão do câncer de mama exige também transparência epidemiológica. A Prefeitura informou 181 mortes de mulheres pela doença entre 2015 e 2018, dado histórico que não permite estabelecer a tendência atual. Para 2024, divulgou 371 novos casos de câncer em mulheres atendidas pela rede municipal, abrangendo diferentes tipos — portanto, esse número não representa a incidência específica de câncer de mama. Nas fontes consultadas, não foi localizada uma série municipal recente consolidada de incidência e estágio ao diagnóstico. Piracicaba precisa tornar esses resultados acessíveis, juntamente com os tempos até biópsia e tratamento. O compromisso do Outubro Rosa deve ser demonstrado pela continuidade da assistência e pelas vidas preservadas.

Alex Gonçalves, presidente eleito da Associação Paulista de Medicina – Piracicaba

Fonte: Folha de Piracicaba – confira

Fábrica de Inovação de Limeira recebe presidente eleito da APM Piracicaba

Para Alex Gonçalves, o encontro foi uma oportunidade para conhecer de perto um ambiente voltado à inovação, tecnologia e articulação de novos projetos

Na última terça-feira (22), Alex Gonçalves, presidente eleito da Associação Paulista de Medicina – Piracicaba, visitou a Fábrica de Inovação de Limeira, onde foi recebido por Fábio Baldin, também cofundador da DevPira.

Para Gonçalves, o encontro foi uma excelente oportunidade para conhecer de perto um ambiente voltado à inovação, tecnologia e articulação de novos projetos, além de discutir caminhos de integração entre Piracicaba e Limeira.

Entre os principais temas, foi abordada a regionalização da Cadeia Produtiva Local da Saúde (CPL) de Piracicaba, ampliando conexões entre municípios, instituições, empresas, startups e profissionais. Também foi discutida a possibilidade de promover eventos conjuntos com a DevPira e a CPL TIC de Limeira, aproximando médicos, profissionais da Saúde desenvolvedores, universidades, empresas e gestores públicos.

“Limeira vem se destacando como referência em transformação digital e inovação na gestão pública. Aproximar esse ecossistema das iniciativas desenvolvidas em Piracicaba, incluindo a CPL da Saúde, representa uma oportunidade importante para consolidar uma agenda regional de inovação, colaboração e desenvolvimento”, destaca o presidente eleito.

Fotos: Divulgação

Alex Gonçalves marca presença no Health Innovation Show 2026

Na última quarta-feira (16), o presidente eleito da Associação Paulista de Medicina – Piracicaba, Alex Gonçalves, participou do Health Innovation Show 2026 (HIS), a convite da Associação Brasileira de Startups de Saúde e Healthtechs (ABSS), para mediar a discussão “Saúde preditiva: Estamos prevendo doenças ou apenas vendendo dados?”.

Ao longo de mais de uma década, o HIS se consolidou como o ponto de encontro de líderes, empresas e investidores que estão conduzindo a transformação digital da Saúde.

Para Gonçalves, o evento foi uma excelente oportunidade para discutir até onde os dados conseguem antecipar riscos, e onde começa a responsabilidade médica em transformar previsão em benefício real para o paciente.

“Foi uma alegria participar do HIS 2026 a convite da ABSS. Mais do que acumular dados, construir dashboards ou gerar alertas, o verdadeiro desafio é transformar informação em decisão clínica, prevenção e cuidado. A Saúde preditiva só entrega valor quando combina tecnologia e inteligência artificial com governança. evidência, segurança e responsabilidade”, completa.

Fotos: Divulgação

Piracicaba: VI COMAP abordará “A essência do cuidado: do diagnóstico à reabilitação”

Alex Gonçalves, presidente eleito da Regional, será um dos palestrantes

Nos dias 17 e 18 de outubro, acontece a 6ª edição do Congresso Médico Acadêmico de Piracicaba (Comap), com o tema central “A essência do cuidado: do diagnóstico à reabilitação”, evento científico de excelência que visa à atualização acadêmica, à difusão do conhecimento e ao estímulo à pesquisa.

Composto por workshops, palestras e apresentações de trabalhos científicos, promove a integração entre médicos, estudantes e pesquisadores, proporcionando um ambiente de troca de experiências, atualização científica e fortalecimento do conhecimento.

O Congresso contará com a participação de convidados especiais, que compartilharão suas experiências e conhecimentos, proporcionando momentos enriquecedores e marcantes para a formação acadêmica e o desenvolvimento profissional de todos os congressistas. Dentre os palestrantes, estará o nefrologista e presidente eleito da Associação Paulista de Medicina – Piracicaba, Alex Gonçalves.

Desde 2021, o Comap é um evento catalisador, propulsor e pioneiro, idealizado por discentes e docentes da Escola de Medicina de Piracicaba da Universidade Anhembi Morumbi, de forma a integrar acadêmicos, residentes e médicos assistentes da região. Surgiu com o ímpeto de cristalizar Piracicaba como centro de formação e assentamento de médicos de excelência e da Medicina de ponta.

O evento acontece no Engenho Central de Piracicaba, localizado na Avenida Doutor Maurice Allain, 454 – Vila Rezende. Realize sua inscrição por meio deste link.

Piracicaba realiza reunião de governança da CPL da Saúde

Encontro contou com a presença do secretário municipal de Saúde, Gustavo Aguiar

Na última quarta-feira (9), a Associação Paulista de Medicina – Piracicaba recebeu, na sede da Inova Acipi, o secretário municipal de Saúde, Gustavo Aguiar, para discutir temas estratégicos capazes de influenciar diretamente a qualidade da assistência, a organização da rede, o acesso da população aos serviços de Saúde e o fomento à inovação.

Entre os principais temas debatidos na reunião de governança da Cadeia Produtiva Local da Saúde (CPL), estiveram o matriciamento e a regulação inteligentes, ferramentas fundamentais para que o sistema deixe de funcionar apenas como administrador de filas e passe a organizar de forma mais qualificada o percurso do paciente. Outro eixo importante da conversa foi a construção de uma plataforma para gestão dos indicadores da Atenção Primária à Saúde.

Para Alex Gonçalves, presidente eleito da Regional para a gestão 2026-2029, uma plataforma bem estruturada pode dar ao município uma visão mais precisa da sua própria realidade, permitindo decisões baseadas em evidências e não apenas em impressões ou respostas tardias aos problemas.

Também foi discutida a vocação de Piracicaba para a Oncologia, tema que merece ser tratado com visão regional e planejamento de longo prazo. Por fim, foi debatida ainda a criação e o fortalecimento de um ambulatório voltado à anemia falciforme e hemoglobinopatias, condições que demandam acompanhamento contínuo, cuidado multiprofissional e conhecimento especializado.

“A reunião com o secretário Gustavo Aguiar mostrou que existe espaço para construir essa agenda de forma séria e técnica. A CPL da Saúde pretende contribuir exatamente nesse ponto, aproximando conhecimento, experiência, profissionais e gestores em torno de propostas que possam produzir impacto real. O papel de uma comissão dessa natureza não é apenas apontar dificuldades, mas colaborar para que soluções possíveis sejam discutidas, amadurecidas e colocadas em prática”, destaca Gonçalves.

Por fim, ele conclui dizendo que toda essa discussão convergiu para uma ideia simples e poderosa. A tecnologia, planejamento, regulação, Oncologia, atenção primária e novos ambulatórios só fazem sentido quando conseguem melhorar a vida do paciente. “Esse deve ser sempre o centro da discussão, porque a Saúde pública não existe para servir a estruturas, cargos ou instituições, ela existe para cuidar de pessoas.”

Fotos: Divulgação

Alex Gonçalves participa do Jornal da Manhã da rádio Jovem Pan News

O presidente eleito da APM Piracicaba falou sobre Cadeia Produtiva Local, inovação, inteligência artificial e muito mais

Na última quinta-feira (27), o vice-presidente da Associação Paulista de Medicina – Piracicaba, Alex Gonçalves, participou do Jornal da Manhã da rádio Jovem Pan News Piracicaba para falar sobre Cadeia Produtiva Local da Saúde, inovação, inteligência artificial e muito mais.

Ele iniciou sua participação dizendo que hoje existe um ecossistema robusto que foi mapeado pela CPL — reconhecida pelo estado de São Paulo — para que a Saúde seja, de fato, uma vocação do município para a inovação. “Hoje, Piracicaba é reconhecida pela inovação no agro e, para que seja conhecida de fato como um polo de inovação geral, as outras áreas também têm que começar a inovar. Nós começamos com alguns projetos ligados à Saúde, trouxemos para Piracicaba a Associação Brasileira de Startups em Saúde (ABSS) e, além disso, temos muitos projetos para que a cidade passe a ser reconhecida também na área da Saúde”, explicou.

O médico destacou que hoje existe um problema muito grande, que é a falta de especialistas no Sistema Único de Saúde (SUS), e afirmou acreditar que a tecnologia pode ser uma ferramenta importante para amenizar essa escassez. “Nós podemos avaliar as solicitações dos médicos da atenção primária, qualificando e organizando a demanda para que os pacientes que mais necessitam cheguem primeiro aos especialistas. Hoje você tem uma fila criada basicamente por ordem de solicitação, sem ser qualificada. Acreditamos que a tecnologia pode auxiliar nesse processo.”

Ao ser questionado sobre o corredor da Saúde que está se formando com a ajuda do estado, o nefrologista contou que hoje existem cinco CPLs da Saúde reconhecidas (São José dos Campos, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Barretos e Piracicaba). Por ser um setor específico, a demanda foi levada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, com a ideia de conectar esse corredor também à Secretaria de Inovação e à Secretaria Estadual de Saúde. “Temos esses projetos para realmente conseguir que o ecossistema dessas cidades fique disponível para todos os participantes dessa coalizão”, completou.

Sobre a quantidade de dados produzidos pela Medicina, o presidente eleito foi questionado se Piracicaba está preparada para transformar essas informações em conhecimento e em decisões melhores. Ele respondeu que, hoje, ninguém está totalmente preparado para isso. “Temos políticas públicas de Saúde digital do Ministério da Saúde que tentam organizar os dados, e temos o Registro Nacional de Dados de Saúde (RNDS), que visa fazer uma compilação de tudo isso. A Saúde suplementar também está entrando nesses registros, então estamos

caminhando para essa integração. Contudo, os dados ainda são muito fragmentados, o que acontece na atenção primária não é acessível para quem está em uma UPA, na atenção secundária e, nos hospitais, menos ainda. Temos sistemas fragmentados e de difícil integração; a interoperabilidade hoje é um dos grandes gargalos dos dados em Saúde”, relatou.

O perigo da Inteligência Artificial nos consultórios

Para o médico, o maior perigo é exacerbar iniquidades e escalar erros. “Quando você tem um sistema operado por pessoas e uma erra, erra pontualmente. Quando um sistema de informação erra, pode escalar o erro para toda a rede. Esse é o principal desafio: ter sistemas com governança, transparência e que sejam rastreáveis, principalmente na tomada de decisão via inteligência artificial. Essa tomada de decisão nunca pode ser autônoma, sempre tem que ser validada por um humano. Por isso, nos nossos projetos de IA na Saúde, sempre mantemos a validação final por um profissional da área, como determinam as normas do CFM e todas as discussões mundiais a respeito disso.”

O médico completou dizendo que, em sua visão, quanto mais informação o paciente tiver, melhor. “Quando dizemos que o paciente tem que estar no centro do cuidado, se ele chegar a um nível de informação em que possa questionar o médico com mais propriedade, achamos isso muito benéfico para o tratamento.”

Quanto ao uso da inteligência artificial pelos médicos, o especialista reforçou que ela deve ser como ferramenta de apoio, e não como substituta da decisão clínica. “Hoje existem muitas ferramentas disponíveis e elas têm que ser bem selecionadas para a prática médica.”

CPL da Saúde e Inovação

Analisando a dinâmica econômica de Piracicaba, Alex Gonçalves reforça a necessidade de gerar empregos de alta qualificação e remuneração, alinhados à vocação do município. Nesse cenário, a geriatria e a longevidade despontam como campos promissores de atuação. Ele explica que o município abriga a primeira cidade geriátrica do país (o Lar dos Velhinhos), e que conta com dois novos empreendimentos em andamento voltados para a terceira idade.

Para o médico, a cidade precisa estar acessível a essa população, oferecendo assistência adequada para garantir longevidade com qualidade de vida, o que consolida o setor como uma área potencial de negócios, geração de empregos de alto valor e melhoria do bem-estar social, seja no SUS ou na Saúde suplementar.

O especialista acrescentou que, pautando-se por valores de humanização e equidade, é possível impulsionar esses negócios e inseri-los no conceito de cidades inteligentes, avançando em ambas as frentes de forma simultânea. Segundo ele, o ecossistema de startups e empreendedorismo precisa ter sustentabilidade financeira e social, estando diretamente atrelado aos pilares de ESG.

Por fim, o presidente eleito da APM Piracicaba ressaltou que, na condição de entidade gestora, o grande desafio atual é estruturar a governança com o envolvimento de diferentes elos da cadeia produtiva. Uma vez consolidada essa governança, o objetivo principal passa a ser a geração efetiva de negócios dentro da CPL da Saúde.

Fotos: Divulgação/Reprodução Jovem Pan News

Saúde renal e sobrevida de meninas prematuras em pauta no podcast “Papo com Cris”

O programa recebeu o vice-presidente e o secretário da APM Piracicaba, Alex Gonçalves e Antônio Ananias, respectivamente

O vice-presidente e o secretário da Associação Paulista de Medicina – Piracicaba, Alex Gonçalves e Antônio Ananias Neto, respectivamente, participaram do podcast “Papo com Cris”, apresentado pela jornalista Cristiane Sanches. No programa, eles abordaram cuidados com a saúde renal e a maior taxa de sobrevivência entre meninas prematuras.

O nefrologista Alex Gonçalves destacou que, para quem tem a função renal preservada, a receita é manter uma dieta equilibrada com proteínas, carboidratos, vegetais e frutas. Em relação à hidratação, o médico explicou que a recomendação base é de cerca de dois litros de água por dia, mas esse volume deve aumentar em dias mais quentes ou com a prática de atividades físicas. Em alguns casos, o consumo diário precisa até dobrar para compensar as perdas.

O especialista reforçou que a urina muito concentrada e escura costuma indicar falta de água, mas fez um alerta de que nem sempre a urina clara é sinal de boa hidratação. Se o rim não estiver filtrando corretamente, a urina também pode perder a pigmentação amarela e aparentar ser mais clara.

Sobre o maior índice de sobrevida entre meninas prematuras, o pediatra Antônio Ananias Neto explicou que, estatisticamente, elas mantêm uma probabilidade superior de apresentar um desfecho positivo. Embora as causas exatas ainda sejam desconhecidas pela Ciência, os dados confirmam essa tendência. “Sempre que crianças do sexo feminino e masculino dão entrada na UTI, observamos que as meninas se sobressaem, pois adoecem menos e apresentam maior taxa de sobrevida.”

Fotos: Reprodução Papo com Cris

Alex Gonçalves é eleito presidente da APM Piracicaba para a gestão 2026-2029

Votação aconteceu na última segunda-feira, 17 de agosto, com eleição da chapa Inova Piracicaba

Ao longo da última segunda-feira, 17 de agosto, os associados compareceram à sede da APM Piracicaba, no coworking da Associação Comercial e Industrial de Piracicaba (Acip) para participar das eleições da nova Diretoria da Regional para a gestão 2026-2029. A chapa eleita foi a Inova Piracicaba, liderada por Alex Gonçalves [confira a composição completa abaixo].

O presidente eleito afirmou estar muito honrado com a missão. Alex Gonçalves destacou que pretende construir uma APM Piracicaba presente, aberta ao diálogo, capaz de reunir gerações e que respeite sua história sem ter medo do futuro.

Segundo Gonçalves, a inovação será um dos pilares da nova gestão, aproximando a entidade das novas tecnologias, das instituições e dos debates que definirão o futuro da Saúde. Entre as prioridades anunciadas está o desenvolvimento da Cadeia Produtiva Local (CPL) da Saúde, buscando fortalecer a integração entre profissionais, instituições, conhecimento e o desenvolvimento econômico local.

Por fim, ele ressaltou o papel representativo da entidade: “Presidir a APM Piracicaba será menos sobre ocupar uma cadeira e muito mais sobre colocar essa cadeira à mesa onde as decisões são tomadas. A Medicina precisa de voz, e essa voz será tão mais forte quanto mais médicos estiverem representados por ela.”

Chapa Inova Piracicaba

Presidente – Alex Gonçalves

Vice-Presidente – Antônio Ananias Filho

Tesoureiro – Graciela Maria Gera Abrão Sakai

Secretário – Lucas José Luiz Forte Correa

Delegado – Douglas Yugi Koga

Conselho Fiscal – Kauã Costa Silva, João Amauri Pauli e Ricardo Tedeschi Matos

Fotos: Divulgação

Pressão: quem consegue aguentar, ganha a guerra!

Ao transformar a espera do Dia D em um drama histórico sobre responsabilidade, técnica e comando, o filme mudou meu conceito de que a maior pressão estaria na Medicina e me mostrou que pode haver muito mais pressão em outras áreas…

Pressure (Pressão) parte de uma premissa narrativa simples e muito eficaz: mostrar que, antes de uma grande operação militar, existe quase sempre um espaço silencioso de dúvida, cálculo e responsabilidade. Em vez de apresentar a invasão da Normandia como espetáculo de guerra, o filme concentra sua energia dramática nas 72 horas que antecedem o Dia D, quando previsões meteorológicas, leituras estratégicas e pressões de comando se chocam em um ambiente de urgência extrema.

Dirigido por Anthony Maras e escrito em parceria com David Haig, o longa parece compreender que a força de um drama histórico nem sempre está no campo de batalha, mas no instante em que alguém precisa decidir sob informação incompleta e consequências potencialmente irreversíveis.

No centro da narrativa está o general Dwight D. Eisenhower, interpretado por Brendan Fraser, retratado não como ícone distante da história, mas como autoridade submetida ao desgaste real da liderança. Ao seu lado, Andrew Scott assume o papel de James Stagg, personagem decisivo para o funcionamento da trama porque encarna o saber técnico que pode alterar o destino de uma operação inteira. O elenco de apoio amplia esse conflito com solidez. Kerry Condon, Chris Messina e Damian Lewis integram um conjunto de intérpretes que sugere densidade aos bastidores da operação, reforçando a noção de que grandes decisões históricas raramente pertencem a um único homem.

Do ponto de vista do roteiro, a adaptação chama atenção por explorar uma matéria-prima incomum para o cinema comercial: a meteorologia como fator dramático central. O risco, neste tipo de proposta, seria transformar informação técnica em mera exposição. O que ocorre é que Pressão converte esse conhecimento em tensão narrativa, fazendo do clima não apenas contexto, mas elemento de suspense e de conflito moral.

Essa dimensão torna o filme especialmente interessante para aqueles que, como eu, estão acostumados a ambientes profissionais em que decisão, risco e responsabilidade caminham juntos. Em certo sentido, Pressão dramatiza um problema universal: como agir quando a melhor decisão depende de dados incompletos, especialistas discordam entre si e o tempo disponível é insuficiente para eliminar a incerteza.

Entre as curiosidades da produção, vale destacar que o longa se baseia na peça teatral de David Haig, apresentada originalmente em 2014 e depois adaptada para o cinema, o que ajuda a explicar a ênfase em diálogos, deliberação e bastidores. Outro aspecto interessante é que seu núcleo dramático nasce de um fato histórico real: a meteorologia teve papel decisivo na execução do Dia D. A invasão da Normandia estava inicialmente planejada para 5 de junho de 1944, mas as condições atmosféricas no Canal da Mancha eram ruins, com vento forte, mar agitado e instabilidade suficiente para comprometer navios, aviação e desembarque anfíbio.

James Stagg, oficial meteorologista que assessorava o comando aliado, avaliou com sua equipe que haveria uma breve melhora nas condições em 6 de junho. Essa leitura contrariava a enorme pressão do tempo operacional e a dificuldade natural de prever sistemas atmosféricos com os recursos da época. Ainda assim, a recomendação foi levada a Eisenhower, que decidiu adiar a ofensiva em 24 horas e apostar nessa curta janela meteorológica. A posteridade consagrou essa previsão como uma das mais importantes da história moderna. O filme não inventa a centralidade do clima, ele dramatiza um episódio em que Ciência aplicada, comando militar e risco coletivo estiveram profundamente entrelaçados.

Como ocorre em toda adaptação, é provável que conversas, ritmos e confrontos tenham sido condensados para efeito cinematográfico. Mas a essência factual permanece notavelmente robusta: havia divergências entre equipes de previsão, temor real de erro catastrófico e houve, de fato, a identificação de uma estreita janela de melhora que ajudou a viabilizar a Operação Overlord.

Sob a ótica histórica, os eventos retratados em Pressão ajudam a entender por que Dwight D. Eisenhower se tornou, anos depois, uma figura politicamente quase incontornável nos Estados Unidos. O Dia D não o levou automaticamente à Presidência, mas consolidou sua imagem como comandante capaz de tomar decisões de altíssimo risco, coordenar alianças complexas e assumir responsabilidade em momentos decisivos. Assim, o episódio retratado no filme pode ser lido como um dos momentos em que se formou a autoridade histórica que, mais tarde, sustentaria sua ascensão à Casa Branca.

Nos Estados Unidos, onde tive oportunidade de assistir, Pressure teve lançamento nacional nos cinemas em 29 de maio, em calendário posicionado estrategicamente antes das homenagens anuais ao Dia D. No Brasil, a estreia em cinemas está prevista para 3 de setembro, enquanto o lançamento em streaming ainda não teve data oficial confirmada.

Uma coisa é certa: Pressão é imperdível!!!

Texto: Mariângela Di Donato Catandi – Professora da Faculdade de Medicina da Anhembi Morumbi/Campus Piracicaba e cinéfila | CRM-SP: 57.257 / RQE-SP: 13.913 e 116.967 – Especialista em Otorrinolaringologia e Medicina de Família e Comunidade

Matéria publicada na edição 199 (Julho/Agosto de 2026) da Revista da APM Piracicaba

Diagnóstico tardio ainda compromete o tratamento dos cânceres de cabeça e pescoço

Feridas na boca, rouquidão persistente, dificuldade para engolir e nódulos no pescoço merecem investigação

Julho Verde não é apenas uma campanha de conscientização. É um alerta urgente para uma realidade que ainda recebe pouca atenção: a maioria dos brasileiros descobre os cânceres de cabeça e pescoço em estágios avançados, quando as chances de cura diminuem e os tratamentos se tornam mais agressivos. Em muitos casos, o maior inimigo não é apenas a doença, mas o silêncio que a cerca.

Os cânceres que acometem a boca, a língua, a garganta, a laringe, a faringe, o nariz, os seios da face e as glândulas salivares, embora muitas vezes silenciosos no início, costumam emitir sinais que não devem ser ignorados. Feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente, dificuldade para engolir, dor de garganta prolongada, nódulos no pescoço e sangramentos frequentes podem indicar algo mais sério e exigem avaliação médica

O problema é que ainda existe uma cultura de negligência em relação a esses sintomas. Muitas pessoas convivem por meses com desconfortos aparentemente banais, adiando a procura por atendimento. Outras sequer sabem que esses sinais podem estar relacionados a um câncer. Quando finalmente chegam aos serviços especializados, o tumor já se encontra em estágio avançado, limitando as possibilidades terapêuticas e aumentando o sofrimento.

Essa demora cobra um preço alto. O tratamento dos cânceres de cabeça e pescoço frequentemente envolve cirurgias extensas, radioterapia e quimioterapia. Em alguns casos, pode comprometer funções essenciais como falar, mastigar, engolir e até respirar. As sequelas ultrapassam o aspecto físico: afetam a autoestima, a convivência social, a capacidade de trabalhar e a Saúde emocional dos pacientes e de suas famílias.

HPV e prevenção: o que mudou nos últimos anos

Nos últimos anos, outro fator ganhou importância crescente: a infecção pelo HPV. O vírus, transmitido principalmente por contato sexual, está relacionado ao aumento de tumores na região da garganta, inclusive entre pessoas mais jovens e sem histórico de tabagismo. Essa mudança no perfil epidemiológico mostra que a prevenção precisa acompanhar as transformações da sociedade.

Neste contexto, a vacinação contra o HPV representa um dos maiores avanços da Medicina preventiva das últimas décadas. Imunizar crianças e adolescentes significa proteger gerações inteiras contra doenças que podem surgir muitos anos depois. Trata-se de uma medida segura, eficaz e capaz de salvar vidas, mas que ainda enfrenta desinformação e baixas coberturas vacinais em diversas regiões do País.

Também é fundamental reforçar a importância dos hábitos saudáveis. Não fumar, evitar o consumo excessivo de álcool, manter boa higiene bucal, praticar sexo seguro e realizar consultas médicas regulares são atitudes simples, mas capazes de reduzir riscos e favorecer o diagnóstico precoce.

O Julho Verde nos lembra que combater o câncer não depende apenas de tecnologias avançadas ou tratamentos inovadores. Depende, sobretudo, de informação de qualidade, acesso oportuno aos serviços de Saúde e compromisso coletivo com a prevenção.

Precisamos falar mais sobre esses tumores. Precisamos ensinar a população a reconhecer os sinais de alerta e garantir que exames e consultas especializadas estejam disponíveis para todos, sem demora.

Porque, diante dos cânceres de cabeça e pescoço, o tempo faz diferença. Cada dia perdido pode significar uma oportunidade a menos de cura. Cada diagnóstico precoce representa menos sofrimento, tratamentos menos agressivos e mais qualidade de vida.

Que o Julho Verde seja, portanto, mais do que uma campanha anual. Que seja um compromisso permanente com a informação, a prevenção e a valorização da vida. Afinal, quando o assunto é câncer, o silêncio não protege. O silêncio mata.

Antonio José Gonçalves, Presidente da Associação Paulista de Medicina – CRM-SP 25.374 | RQE-SP 18.049 e 19.162 – Especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia de Cabeça e Pescoço

Matéria publicada na edição 199 (Julho/Agosto de 2026) da Revista da APM Piracicaba

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