Transmitida pela Rádio 105.9 Piracicaba, entrevista teve foco no envelhecimento saudável e de qualidade
Frequentemente, o intestino é considerado o segundo cérebro dos seres humanos. Por ser um órgão praticamente independente, com sua própria rede de neurônios e estar diretamente relacionado ao humor dos indivíduos, o seu pleno funcionamento é fundamental para garantir Saúde e qualidade de vida, por isso, eventuais desconfortos sinalizam que algo não está certo e que é preciso buscar ajuda.
Para falar mais sobre o tema e como isso afeta principalmente pacientes idosos, o presidente da Associação Paulista de Medicina – Piracicaba, Douglas Koga, participou no último sábado, 18 de julho, do programa Educativa Melhor Idade, da Rádio 105.9 Piracicaba, apresentado por Ricardo Fujii.
Koga explicou que, nos casos de pacientes que apresentem constipação, é preciso analisar todo o histórico de vida para saber se essa sempre foi uma condição comum ou se foi algo que passou a aparecer com o decorrer da idade. “Com o passar do tempo, muitas vezes os órgãos deixam de funcionar de forma satisfatória. Na Medicina, nós procuramos tentar promover mecanismos de compensação por meio de atividade do dia a dia do idoso ou por meio de medicações e outros recursos que, eventualmente, possam ser utilizados.”
O médico evidenciou os riscos da constipação prolongada. “Uma das coisas que podem acontecer é a criação do fecaloma, que é quando as fezes se tornam tão empedradas que acabam demandando serviço hospitalar e internação. Às vezes, em situações mais extremas, é preciso até procedimentos anestésicos para conseguir tirar todo aquele acúmulo fecal.”
Problemas digestivos
Outro fator associado ao envelhecimento são problemas na mastigação e deglutição. “A questão do ato de engolir é que é muito automático para nós, já que aprendemos enquanto ainda somos nenéns. Mas existe uma sincronia e uma coordenação muscular desde a parte da boca, de empurrar a comida para o fundo da língua e a ela encontrar o caminho correto para o esôfago e não acabar parando sem querer no pulmão ou na traqueia.”
Koga demonstrou que, por meio de exames, como endoscopia, laringoscopia e de motilidade, além da ajuda de fonoaudiólogos, é possível identificar se está havendo uma descoordenação do processo de engolir e se há uma fragilidade sistêmica, de energia e força, associada. “Esse processo do diagnóstico não é tão simples e nem depende só de um profissional, é preciso envolver mais pessoas para que ele seja preciso. Às vezes, avaliações endoscópicas acabam tomando a frente e afastando doenças graves.”
Sangue oculto
O bate-papo falou ainda sobre a presença de sangue oculto nas fezes. De acordo com Douglas Koga, nessas situações, para pacientes acima de 50 anos, é necessário investigar com atenção.
“O sangue oculto é um exame que a gente chama de rastreamento populacional, ele faz parte de políticas públicas de Saúde e não é um exame de natureza específica individual preventiva, como a colonoscopia. A colonoscopia é um exame que precisar feito, de acordo com as normas brasileiras, acima dos 50 anos, mas já temos adotado o limite de 45 anos, e dependendo do caso, é melhor passar por uma consulta que tenha ajustes de idade baseados em raça e histórico familiar”, reforçou.
Segundo o presidente da APM Piracicaba, levar o paciente para conversar com o médico é a melhor forma de lidar com aqueles que tenham resistência na realização de exames que possam ser um pouco mais invasivos. “Leve para que ele possa falar com o idoso de uma forma técnica, com um pouco mais de autoridade e conhecimento, para que se convença da necessidade de prosseguir. E o médico consegue encontrar alternativas com esses mecanismos de convencimento para que o paciente possa vencer o medo e seguir o caminho que é o mais recomendado”, finalizou.