Com a palavra, Alex Gonçalves

Em entrevista, o novo presidente compartilha expectativas e anseios para a gestão da APM Piracicaba

Em entrevista à Revista da APM Piracicaba, Alex Gonçalves destaca quais são as suas principais expectativas para o cargo, como espera lidar com os desafios e de que maneira buscará ampliar a força do associativismo no município e região, destacando, também, a importância do diálogo e da representatividade aos médicos que estão iniciando a carreira. Confira a seguir.

De que forma passou a atuar no associativismo e como entrou na Associação Paulista de Medicina?

Por convite do ex-presidente da APM Piracicaba, Ricardo Tedeschi, minha aproximação com o associativismo veio da percepção de que muitos dos desafios da Medicina não podem ser enfrentados individualmente. Questões como valorização profissional, qualidade da formação médica, defesa de condições adequadas de trabalho, fortalecimento do SUS e incorporação responsável de novas tecnologias exigem representação coletiva. Na APM Piracicaba, encontrei um espaço capaz de reunir médicos, instituições de Saúde, universidades, empresas e setor público, entre outros. Minha participação foi evoluindo a partir dessa atuação institucional, especialmente em projetos relacionados à educação médica, inovação e articulação do ecossistema de Saúde de Piracicaba.

Qual a importância do associativismo para os médicos, especialmente àqueles que estão no início da carreira?

A Medicina tem uma dimensão individual muito forte, mas os principais problemas da profissão são coletivos. Remuneração, condições de trabalho, qualidade da formação, autonomia profissional, incorporação tecnológica e defesa da ética da Medicina dificilmente serão modificadas pela atuação isolada de um médico. Para quem está começando, o associativismo também representa acesso a uma rede profissional. É uma oportunidade de conviver com colegas de diferentes gerações, desenvolver liderança, participar de projetos e compreender melhor o ambiente institucional no qual a Medicina está inserida.

Como despertar o interesse dos jovens médicos para estarem inseridos na APM?

Não acredito que seja possível atrair jovens médicos apenas explicando a importância histórica do associativismo. É necessário demonstrar utilidade e permitir participação real. A APM precisa abrir espaço para que estudantes, residentes e jovens médicos proponham projetos, participem das decisões e assumam protagonismo. Também precisamos discutir temas que fazem parte da realidade dessa geração, como mercado de trabalho, carreira, residência médica, saúde digital, inteligência artificial, empreendedorismo, inovação, doenças raras, envelhecimento populacional e novas formas de exercício profissional. Mais do que convidar o jovem médico para entrar em uma estrutura pronta, devemos convidá-lo para ajudar a construir a próxima APM.

Sua gestão à frente da APM será baseada em quais princípios? Quais são suas principais expectativas?

A gestão será baseada em quatro princípios, que estarão divididos entre representatividade, valorização médica, inovação e responsabilidade institucional. Quero uma APM mais próxima do médico, independentemente da especialidade ou do momento da carreira, mas também mais presente nas grandes discussões sobre Saúde da cidade, com foco no fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Uma das expectativas centrais é fortalecer a atuação da APM, gestora da Cadeia Produtiva Local (CPL) da Saúde de Piracicaba, consolidando a entidade como articuladora de projetos que aproximem assistência, Ciência, inovação e desenvolvimento regional. Também considero fundamentais transparência, governança e capacidade de transformar propostas em projetos concretos, com objetivos, indicadores e resultados mensuráveis.

Quais os seus planos para a APM Piracicaba?

Pretendemos atuar em alguns eixos prioritários. O primeiro é ampliar a representatividade da APM e sua proximidade com os médicos da cidade, especialmente os mais jovens. Outro eixo é a educação médica, aproximando estudantes, residentes, especialistas e instituições formadoras por meio de atividades científicas, discussão de carreira, liderança e desenvolvimento profissional. Um terceiro eixo será a consolidação da CPL da Saúde como ambiente de articulação e desenvolvimento de projetos estratégicos para Piracicaba. Dentro da CPL, queremos fortalecer especialmente as áreas de geriatria e longevidade; cuidados paliativos; oncologia; genética e doenças raras; novas tecnologias aplicadas à Saúde, incluindo saúde digital e inteligência artificial. A ideia é criar projetos colaborativos, envolvendo hospitais, universidades, profissionais da Saúde, empresas, startups e poder público, sempre com foco em impacto assistencial, desenvolvimento científico e geração de valor para a cidade.

Quais acha que serão os maiores desafios a serem enfrentados? Como espera lidar com eles?

Um dos principais desafios é recuperar o sentimento de pertencimento dos médicos às entidades associativas. O médico atualmente enfrenta sobrecarga, múltiplos vínculos, mudanças nas relações de trabalho e uma transformação muito rápida da própria profissão. Outro desafio importante é a precarização do trabalho médico e a necessidade de preservar autonomia, qualidade assistencial e condições adequadas para o exercício da Medicina. Também existe o desafio de transformar articulação institucional em projetos efetivos. A CPL da Saúde pode cumprir papel importante justamente ao organizar atores que muitas vezes trabalham isoladamente. Minha intenção é enfrentar esses desafios por meio de representação institucional forte, diálogo permanente, boa governança e construção de alianças.

De que maneira espera atuar ao lado da APM Estadual e construir novos projetos?

A APM Estadual é fundamental para ampliar a capacidade de representação das Regionais. Pretendo manter uma relação muito próxima, levando demandas de Piracicaba para a estrutura Estadual e trazendo para a nossa região iniciativas nas áreas de defesa profissional, educação médica, atualização científica e inovação. Também acredito que Piracicaba pode funcionar como ambiente de desenvolvimento e validação de novos projetos da APM. Temos hospitais de referência, universidades, rede pública, profissionais qualificados e um ecossistema de inovação em expansão. Por meio da CPL da Saúde, podemos compartilhar modelos bem-sucedidos com outras Regionais.

O que é possível fazer para que Piracicaba siga sendo um polo de Saúde e incentivar ações em benefício deste setor?

Piracicaba já possui ativos muito importantes, então o desafio é conectá-los melhor. A CPL da Saúde, com participação ativa da APM Piracicaba, pode ser uma das principais estruturas para essa articulação. A proposta é organizar projetos em áreas estratégicas para o presente e para o futuro da Saúde. Precisamos aproximar academia, hospitais, médicos, empresas, startups e poder público; transformar conhecimento em soluções; estimular pesquisa clínica; apoiar inovação; desenvolver projetos de Saúde digital; e criar condições para que empresas e talentos permaneçam na região. A Saúde pode ser não apenas um importante setor assistencial de Piracicaba, mas também um de seus principais vetores de desenvolvimento econômico, científico e tecnológico. A APM Piracicaba deve ocupar esse espaço como entidade médica e, ao mesmo tempo, como articuladora de um ecossistema de Saúde mais integrado, inovador e sustentável.

Matéria publicada na edição 200 (Set/Out de 2026) da Revista da APM Piracicaba

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