Vice-presidente da APM Piracicaba também comentou sobre a Cadeia Produtiva Local da Saúde e projetos futuros
Alex Gonçalves, vice-presidente da Associação Paulista de Medicina – Piracicaba, também participou do podcast “Papo com Cris”, apresentado pela jornalista e radialista Cristiane Sanches. Na ocasião, o nefrologista falou sobre o aumento de casos de pessoas que perderam suas funções renais, a Cadeia Produtiva Local da Saúde e inovação.
De acordo com o médico, há algumas décadas a doença renal crônica cresce a uma taxa de 10% ao ano, referindo-se à doença renal crônica terminal, em que os pacientes precisam de terapia renal substitutiva – seja o transplante, a hemodiálise ou a diálise peritoneal. Ele explica que esse aumento da incidência da doença renal crônica terminal se dá por alguns fatores que afetam a Saúde da população em geral, sendo diabetes, hipertensão, obesidade e o aumento da expectativa de vida, a longevidade.
Gonçalves explica que os sintomas só aparecem quando o rim estiver funcionando abaixo de 30%, e muitas vezes abaixo de 15%. Quando a eficiência estiver abaixo de 10% do funcionamento renal total, a pessoa já tem indicação para iniciar a terapia renal substitutiva.
“Hoje, é recomendado que os pacientes diabéticos e hipertensos façam o rastreio na unidade básica de saúde e usem medicamentos para controlar diabetes e hipertensão. Nós já temos incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS) medicamentos que retardam a progressão da doença. Temos também uma linha de cuidado bem estabelecida no SUS para tratar esses pacientes, mas eles não estão chegando até nós no tempo necessário, seja para retardar a progressão ou para iniciar o tratamento em uma condição clínica melhor”, completa.
Cadeia Produtiva Local da Saúde
A Cadeia Produtiva Local (CPL) é um programa do SP Produz ligado à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, que mapeia as vocações dos municípios. Atualmente, Alex Gonçalves é secretário do Conselho Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação de Piracicaba.
“A Saúde foi elencada como uma das vocações do município para inovação e a APM foi escolhida como entidade gestora. Nós conseguimos o reconhecimento da Secretaria, que viu a cidade de Piracicaba tendo essa vocação porque nós mapeamos os atores, e esses atores se envolveram com a CPL. Então, nós temos os hospitais, os convênios, a Santa Casa e as empresas que fabricam freezers. Tivemos a adesão dos elos e fomos reconhecidos; a partir desse reconhecimento, nós nos conectamos com as CPLs de São José dos Campos, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Barretos, e agora estamos organizando um corredor da Saúde no nosso estado.”
O médico complementa dizendo que a proposta levada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico foi bem aceita, e será feita a ponte com a Secretaria de Tecnologia e Inovação e com a Secretaria de Saúde para que o estado saiba da existência dessa organização e para pleitear apoio ao desenvolvimento desses setores nos municípios.
Inovação
Para finalizar, o vice-presidente da APM Piracicaba explica que, segundo o seu conhecimento, existem hoje duas startups voltadas à Saúde na cidade: uma de Inteligência Artificial aplicada à Saúde, principalmente no matriciamento e na regulação voltados para o Sistema Único de Saúde, e outra pertencente a um grupo de garotas, focada no bem-estar do recém-nascido prematuro. Elas possuem um projeto muito interessante de acolhimento e desenvolvimento desse bebê prematuro.
“A gente espera que, com esse fomento, com essa estrutura e com todos esses atores – principalmente no Inova Acipi, PIN e no mapeamento estratégico do SEBRAE – a expectativa seja fomentar ainda mais negócios inovadores e fortalecer Piracicaba como um polo de inovação também na área da Saúde”, finaliza.

Fotos: Reprodução Papo com Cris